Vale mesmo a pena entrar com uma ação judicial de cobrança?
Embora a recuperação judicial de crédito possa ser uma ferramenta extremamente importante para proteção financeira da empresa, é fundamental compreender que um processo judicial também envolve custos, tempo e análise estratégica.
Por isso, antes de ajuizar qualquer medida, o ideal é realizar uma avaliação jurídica completa sobre:
a) viabilidade da cobrança;
b) qualidade da documentação;
c) riscos processuais;
d) patrimônio do devedor;
e) e custo-benefício da demanda.
Custas processuais: o primeiro custo do processo
Toda ação judicial envolve despesas obrigatórias relacionadas ao próprio funcionamento do Poder Judiciário.
Essas despesas são chamadas de: custas processuais. Estes valores variam conforme: o Estado (Tribunal); o tipo de ação; o valor da causa e a fase processual.
Entre os custos mais comuns estão: taxa judiciária inicial; despesas de distribuição; custas para citação; diligências; pesquisas patrimoniais; recursos e eventual fase de execução.
Em algumas situações, o processo pode exigir despesas adicionais ao longo do andamento da ação.
Honorários advocatícios também devem ser considerados
Além das custas judiciais, existe o custo relacionado à atuação do advogado responsável pela condução da cobrança.
Cada escritório possui critérios próprios de contratação, podendo existir: honorários fixos; percentuais sobre recuperação; honorários híbridos ou modelos personalizados conforme a complexidade do caso.
Mais importante do que buscar o menor custo imediato é avaliar:
a) a qualidade/legalidade do seu setor cobrança;
b) a estratégia jurídica;
c) a qualidade da análise;
d) a segurança da documentação;
e) a real viabilidade de recuperação do crédito.
Uma cobrança mal estruturada pode gerar ainda mais prejuízo no futuro.
O custo invisível do processo: O TEMPO.
Muitas vezes, empresários consideram apenas os custos financeiros diretos e ignoram um fator extremamente relevante:
o tempo do processo judicial.
Dependendo da complexidade da demanda: recursos podem ser apresentados, incidentes processuais podem surgir, tentativas de ocultação patrimonial podem ocorrer e a recuperação efetiva do crédito pode exigir tempo significativo.
Além disso, enquanto o processo tramita o capital permanece indisponível; o fluxo de caixa pode ser impactado e a empresa continua absorvendo o prejuízo da inadimplência.
Por isso, decisões estratégicas de cobrança devem considerar não apenas “ganhar a ação”, mas também tempo; efetividade; risco e possibilidade real de recuperação.
Existem riscos de sucumbência?
Sim. Dependendo da situação, a empresa também pode ser condenada ao pagamento de honorários de sucumbência.
Os honorários sucumbenciais correspondem aos valores fixados judicialmente em favor do advogado da parte contrária quando há derrota parcial ou total da demanda.
Esse risco pode aumentar especialmente em situações envolvendo:
a) irregularidades no título;
b) falhas documentais;
c) cobranças indevidas;
d) excesso de execução;
e) ou improcedência de pedidos.
Além disso, em alguns casos, embargos ou recursos apresentados pela parte contrária podem gerar discussões adicionais e ampliar os riscos financeiros do processo.
Por isso, a análise preventiva da documentação é indispensável antes do ajuizamento da ação.
Nem toda dívida deve ser judicializada da mesma forma
Uma cobrança eficiente exige estratégia.
Em determinados casos, negociações extrajudiciais; protestos; notificações; acordos estruturados ou garantias alternativas podem representar soluções mais rápidas e economicamente mais vantajosas do que uma ação judicial longa e complexa.
Cada situação deve ser analisada individualmente.
Recuperar crédito exige estratégia desde a origem contratual, não apenas processo:
A recuperação judicial de crédito não deve ser encarada apenas como medida automática de cobrança.
Ela envolve análise documental; estudo patrimonial; avaliação de riscos; estratégia processual e planejamento jurídico adequado.
Empresas que atuam preventivamente e com suporte especializado costumam possuir maiores chances de recuperação eficiente e menor exposição a riscos desnecessários.
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